O prazer e a importância da leitura e
escrita
Por Israel Scardua de Aquino
POR QUE LER?
Ensinar a ler e a escrever é um dos desafios mais difíceis a que os
professores nos dispomos num mundo dominado pelas mídias visuais. Quando digo
professores de leitura e escrita não estou me referindo apenas aos
alfabetizadores ou de Português. Todo professor comprometido ensina a ler e
entender o que se lê. Não apenas leitura de palavras, mas a todas as formas de
linguagem tais como a música, a pintura, os gráficos...
A leitura é essencial para aquisição da escrita. É sabido que quem mais lê,
melhor escreve. Escrever bem não quer dizer sem erros gramaticais de
concordância, regência, ortografia, pontuação e outros; é escrever com clareza,
objetividade, é ser capaz de se comunicar bem.
A leitura hoje está mais acessível: livros, jornais, revistas,
computadores e outras formas de comunicação permitem que tenhamos contato com o
mundo das palavras, mas infelizmente não temos conseguido formar leitores em
potencial. Isso é lamentável pois é na leitura que se encontra informação,
sabedoria, autoconhecimento, memória e se desenvolvem pensamentos próprios.
Contamos com bibliotecas públicas e projetos relevantes como A Tribuna na
escola no intuito de formar leitores, mas há ainda escolas municipais, por
exemplo, mesmo da capital, sem biblioteca.
A informação é necessária para
desenvolver o senso crítico. Depois que conhecemos nossa realidade somos
capazes de refletir e adequá-la de modo a buscar nossas realizações e nossa
felicidade. A literatura desvenda a alma humana, tanto as narrativas, os textos
líricos e os dramáticos aludem às diversos comportamentos e formas de ver a
vida, o que nos proporciona sabedoria na hora de tomarmos atitudes e decisões.
A identificação com personagens e com os eu-líricos permitem que o leitor
conheça mais a si mesmo a partir de histórias e poemas. Os livros trazem toda a
memória da história e da cultura da humanidade. A leitura dos diversos gêneros
textuais, com tantos temas e infinitas possibilidades, é a principal
responsável pela formação de opinião. Com a leitura adquire-se a capacidade de
ter pensamentos próprios e disso depende uma democracia. O Brasil só será uma
democracia de verdade quando os cidadãos tiverem acesso pleno à leitura.
POR QUE NÃO SE LÊ?
A televisão, o cinema, os
videogames, os computadores e os escritores ruins destruíram a literatura. As crianças estão cercadas por telas e não se
sabe qual é o futuro da leitura num mundo dominado pela imagem. Segundo uma
pesquisa do Instituto Ipsos, 57% das crianças e jovens brasileiros de 2 a 17
anos passam no mínimo três horas por dia diante da televisão, enquanto 43% não
gastam nem um minuto por dia lendo livro; só fica atrás de Macedônia,
Indonésia, Albânia e Peru. A leitura das crianças e dos jovens se resumiu à de Best
Sellers traduzidos para o português com histórias de magia e vampiros. Quem se
habitua a ler autores desse tipo literatura terá dificuldade de ler um texto
com linguagem mais elaborada, mais da polissêmica, muito comum aos textos
literários de qualidade.
O brasileiro não entende o que
lê, porque lê pouco. A Câmara Brasileira
do Livro registra que os EUA lançam 11 livros a cada ano, o Brasil 2,5. O
Sindicato Nacional dos Editores de Livros pesquisou por três meses a leitura no
Brasil e concluiu que 30% dos brasileiros leram um livro somente naquele
período, 14% não leram nenhum, 11% não tinha dinheiro pra comprar um livro e
39% usou a desculpa de que não tinha tempo para ler. O Programa Internacional
de Avaliação de Alunos verificou a posição do Brasil em 32º lugar entre 41
países: jovens entre 15 e 16 anos não passaram em leitura, interpretação e
assimilação de textos. Os dados mostram ainda que quanto maior a faixa etária
do jovem, maior a taxa de analfabetismo. Entre os jovens de 15 a 17 anos, 1,7%
são analfabetos - em 1998 o índice era de 8,2%. Entre os de 18 a 24 anos, 2,4%
são analfabetos. Isso é preocupante. 68% dos jovens entre 18 e 24 anos não
estudam (IBGE). Entre os 18 e 24 anos de idade, está a maior diferença. Trinta
e dois por cento das mulheres brasileiras nessa faixa etária estudam. Entre os
homens, a porcentagem cai para 28,9%. A contradição está entre a população
analfabeta: as mulheres também são mais numerosas entre elas. Dos 14,5 milhões
de analfabetos com mais de 10 anos de idade, 7.411.000 são mulheres. Entre 16
países em desenvolvimento o Brasil é o primeiro em repetência, com 26% Paraguai
8,4%. Só 32% chegam à faculdade nos demais 80%.
O QUE FAZER?
Quem pode mudar essa história?
Primeiramente a família: ao ler para uma criança antes de ela dormir, ou
sentada em seu colo, o pai ou a mãe ensinam a ler. E não há melhor professor
que o exemplo, associado ao carinho e aconchego de quem a criança tem como
modelo. Outra atitude bastante louvável é presentear a criança com livros e
levá-las a uma biblioteca ou uma livraria num programa em família num dia de
lazer. A criança associará a leitura a coisas boas como estar com a família ou
fazer um passeio.
A escola também tem papel
fundamental porque orienta a leitura dos gêneros textuais a que a família não
tem acesso ou compreensão, e ensina a escrever. É preciso que o ensino da
escrita seja de forma prazerosa, para tanto se defende a democratização do
texto. A escola tem de considerar a leitura e a escrita como objeto de ensino. Quando
se escreve para ser lido por um público considerável, a criança e o jovem
escrevem com mais prazer e pensando no leitor. Isso dá sentido ao texto. E vale
lembrar que quem não lê tem dificuldade em escrever.
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